O bibliófilo misantropo: excertos ex (ego) cêntricos – Por Ian Plat

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Escrever como uma necessidade… Talvez. Os estilhaços de pensamento se proliferam como micróbios na tela do computador, mas sugerem que algo germine, de fato, no mundo? Porque publicar minha perturbação? Mas é a arte o que interessa, o regurgitamento do que foi metabolizado ou a merda seca da produção em série para atender ao mercado… O que se quer é o ócio do escritor, tipo um escriba capitalista? E se eu quiser fazer literatura do que eu preciso? Erudição, banho de imersão no caldo da cultura ocidental viciada, acertar um filão ou uma fatia do mercado, encher de confusões o papel que aceita tudo, ressuscitar um gênero, misturar mais outro, ser o rei de tal ou tal estilo e virar uma cópia de mim mesmo, ajudar os leitores com minhas compulsões, fazendo composições de letras e palavras ajuntadas em frases, linhas, parágrafos, páginas e por fim, um livro. “Eu produzo livros”. Mas quem produz livros é a gráfica e a editora. Como eu me organizo com isso? Mero aprendiz, para quê? Para que meu nome dure mais que eu, minha cidade e meu país? E se eu penetrar o espírito humano, o farei com mais profundidade que o meu vizinho que planta verduras no fundo do pátio (posso querer imortalizá-lo na minha obra…), ou como Pessoa, “é a minha forma de estar só”… E é essa forma de artesanato, oficina da palavra, ferramenta mental do uso da língua em feitiço, ilusionismo que ensaia mundos artificiais, enfeitando-o ou mostrando em carne viva (mas nunca é a Realidade…)

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