a Repin por João-Maria

el
Sleeping Cossack, 1914, Ilya Repin

A noite está temperada de parestesias; mil agulhas
como a morte de mil egos. Ela acaba e a manhã
já racha os dentes negros, os ares poéticos
desdobram-se e caem, flores d’um jarro
tombado.

O obliquo entardecer perfilha os rolos de luz
dentre as penedias. Temos de dominar o frio
para que os filhos não nasçam malogrados,
para que as coisas silenciosas não nos roam
estas mãos que serão não mais que mãos cheias
do silêncio evadido.

Há toda uma melopeia nas florestas: o sol,
de novo, abandona-me. O profundo orfanato
das coisas verdes. Agarra-me, noite,
já não tenho ninguém em mim,
já me morreram todos,
já sou um vazio inconsútil
num sonho desfigurado.

(este poema foi parcialmente inspirado em Boris Ryzhy e Osip Mandelstam, embora tenha sido largamente improvisado)

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