Ficha técnica:
Jenis
O dia depois de amanhã, 2018
Fotografia digital

Limbo azul da Prússia – Por Jenis

A madrugada madruga em sua própria madruguês.

(Pesquiso a palavra “madruguês”. Pra quê, se eu já sabia que era fruto da minha madruguês?)

Caio num espaço, num vazio, aquele momento do qual chamamos tão perto diversas vezes mas nunca compreendemos seu âmago. Que existência mais infundada essa nossa! De entender o Ser e nunca ser capaz de compreender o Não Ser. Parece alguma piada de mal gosto de que somos obrigados a engolir.

É nesse gosto de azul amargo que me desmaterializo e ouço o mais próximo que consigo dos sons do vazio. No mundo parado que se finge de morto e acredita que já pode transpassar, madrugo minha madruguês.

Pausa para o bombardeio.