Bata o pé, mexa os braços – Priscila Monteiro Santos

 Couple Dancing On The Beach, Jack Vettriano

Bata o pé, mexa os braços – Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Faz tempo, mas não tanto que não lembre, ouvi uma história antiga de como duas pessoas começaram a se amar de verdade.

Um jovem casal num quarto amanhecendo, ela está sentada com os braços sobre o joelhos, olhando adiante, para a janela aberta a sua frente.

Uma brisa leve entra pela janela ela levanta da cama e vai fechá-la. Na volta se depara com a imagem dele, parado, silencioso, calmo; com a aparência de uma criança inocente. Dá um leve sorriso, sente-se satisfeita fica ali alguns minutos, em pé, olhando para ele. Ele abre os olhos, vê-a num lance, fecha os olhos e volta a abri-los, pergunta a ela:

– Aconteceu alguma coisa?

– Não

– Você vai me deixar?

– Claro que não, que bobeira, por que isso?

– O que você está olhando?

– Você.

– Então por que está me olhando?

– Gosto de olhar você.

– Você está bem?

– Estou.

– Então vem dormir.

– Já estou indo.

– Por que esta acordada?

– As vezes tenho insônia, penso demais.

– Em que você está pensando?

– Em uma forma para não pensar em nada.

– Vem cá. Ele a abraça, ela se sente protegida, por uns minutos, ele volta a dormir, ela se desvencilha de seu corpo, sai do quarto liga o abjure da sala e começa a ler um livro. Ele levanta vai até a sala senta no sofá em frente a ela e fica olhando-a ler…

– Quer ouvir música? Ela olha-o abre um largo sorriso ele se levanta coloca um disco para tocar, estende as mãos para ela, começam a dançar, e conversar.

– Você esta sentindo falta de casa não é?

– Não sei se é bem isso, não sei bem o que é. Gosto de estar aqui com você me sinto feliz ao seu lado, mas… me falta algo. Não sei o que. Talvez seja Deus; talvez seja ter uma comunhão mais completa com Ele. Eu sei que pareço louca, falando essas coisas, queria viver bem sem “bem” nem “mal”; sem pensar nisso simplesmente, viver e ser o melhor que pudesse; talvez fosse mais feliz, sei lá. Muita loucura mesmo, só Deus para entender.

– Acho que você é mais sã do que muitos de nós. Mas Deus é uma figura com quem ainda não estou familiarizado… mas sempre é tempo.

– É sempre é tempo. Sabe que quero dizer isso faz tempo… mas tenho receio da sua interpretação. Eu amo você, sabia. É um amor cristão, nós somos irmãos; é bom, nascemos para amar e é só isso que quero nessa vida.

– Você foi a melhor coisa que podia acontecer na minha vida…

– Ah… você não sabe a tempestade que tem sido a minha, tem que viver. Vou esperar a calmaria? Teria me afogado… A vida é o dia a dia, um barco furado e o único bote salva vidas, está lá em cima, você tem que nadar muito para alcançá-lo.

– E você o alcançou?

– Não sei, mas parece que Ele me alcançou primeiro.

Ele a abraça, eles ficam envolvidos por um tempo, e de repente começam a dançar. Está de madrugada, mais ninguém nas casas ao redor está acordado, mas os dois estão em comunhão, são um, mesmo sem entenderem muito bem como, são um com Deus.

“Louvada seja a dança, Ela libera o homem Do peso das coisas materiais, Para formar a sociedade. Louvada seja a dança, Que exige tudo e fortalece A saúde, uma mente serena E uma alma encantada. A dança significa transformar O espaço, o tempo e o homem. Que sempre corre perigo De perder-se ou somente cérebro, Ou só vontade ou só sentimento. A dança porém exige O ser humano inteiro… “ Santo Agostinho

2 Comentarios Agrega el tuyo

Deja una respuesta

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Salir /  Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Salir /  Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Salir /  Cambiar )

Conectando a %s