The end – Por Priscila Monteiro Santos

Duane Michals – The dream of flowers

                                The end – Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com) 

                                Falaria da solidão, mas a verdade é que nunca estou só, então não sou apta para dizer do que nunca senti. Sei que ela existe, sei que me assombra, sei que a temo, por vezes não sempre. Falaria da paixão, do que dizem que às vezes é capaz de até corromper o coração. Mas da paixão não se fala, ou nela se vive e se entrega, ou morre-se cego, sem perceber, que é devido à paixão que hoje temos vida.

                                  Diria dos amigos, de como o tempo ao lado deles inexiste. Falaria até de quanto um dia já fui tão triste, falaria se achasse certo, de que penso que todos deveriam passar pelo deserto, provar não a ninguém, mas provar de si. Diria de como já sonhei que a vida fosse apenas versos, diria… mas não falei. De tudo na minha vida, que vivi, foi você todas as histórias que pensei valerem à pena, no fim, de nada quis falar, se não era para você escutar. No fim, decidi calar.

                                    Calei quando o amava, calei quando o quis, calei quando você se foi… e depois não quis falar, não quis partir, não quis estar, não quis viver. Porque não entendia o que era a vida, se não era para estar com você.

                                    Falaria de quanto Deus me ama, de quanto Ele amou toda a vida. Falaria de quanto me senti desprotegida, e de quanto fui ignorante, de quanto me senti incompreendida, mesmo tendo sido decifrada. Falaria de todas as manhãs que me fez descobrir, o que de verdade era a vida. Falaria de todos os sorrisos que roubaram a minha face, quando quis que ela fosse imóvel, porque você, não estava mais comigo, porque ele também antes de você já tinha partido, e porque não percebia que era tão protegida. Falaria dos meus pecados e erros tantas vezes cometidos, falaria das penitencias, que me dei sem saber que de todas, a única que servia era o perdão, falaria, de como sofrem os corações, que vivem guardados em si. Falaria, mas você partiu e meu coração partiu-se sem você.

                                    Calei, calei a dor que quis gritar, mas as lágrimas não pude conter, elas rolaram por anos sem fim, sem que quisesse saber o porque, calei todos os sorrisos que você não poderia ver, calei todas as palavras que quis que você ouvisse, calei meu coração quando tudo em mim doía, calei a própria vida, para não sentir nem dor nem ar.

                                     Um dia vi você e nesse dia entendi, não haveria forma de ser o que não tivesse de ser, lembrei de uma frase, que você gostava de repetir, era tola e engraçada, era seu jeito de viver a vida, “se ainda não deu certo, é porque ainda não chegou no fim”. No fim, sempre te amei, no fim, ainda te amo, no fim, não sei o que é o amor, no fim, o amor é o que sinto quando penso que no fim, pode ainda não ser fim.

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