Viver no futuro. Por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

                                 Sobre jogar coisas fora, entre as coisas estão dispostas também as palavras… queria guardar uns e-mails… mas fui pensando pra que? Pro futuro? Ah por Deus, todo mundo sabe que a gente não volta pra ler… não imprime e guarda na cabeceira da cama pra quando der saudades ver, então, pra que? Mas mesmo sem nenhum fundamento ainda existem “coisas” que nós somos tentados a guardar.

                                De qualquer forma, conclui o obvio, o que importa são os momentos que foram vividos com essa ou aquela pessoa, as palavras que tocaram nossos corações por algum motivo, ao vivo ou de alguma outra forma, mas mesmo que apaguemos das caixas de e-mails, ou mesmo joguemos fora das caixas da adolescência, estarão conosco dentro da nossa historia, porque de alguma forma nos marcaram e no fim é só isso que podemos levar sempre… é só isso que conseguimos guardar, o acumulo de funções com o qual nos surpreende a memória… e o resto? O resto é história; a vida é o que passou e ficou em você, isso é a vida, o que mais você queira guardar dela e não te pertença, bom não vai estar contigo na hora de mudar de casa, não vai estar contigo quando sair para viajar, então será realmente que você precisa?

                                Minha resposta a mim mesma, não, claro que não, mas não deixo de contestar (constatar) que mesmo assim o desapego é uma parte bem difícil dentro das nossas existências, mas como deixa leve a vida.

                                  Comecei a pensar, que talvez só devêssemos conservar o que fosse possível levar numa viagem, o que coubesse em uma mala, estaríamos então vivendo com o que precisamos, porque é como vivemos quando estamos fora de casa. Então de alguma maneira nossa casa se resume a isso, mas as lembranças… Antes que perca esse texto deixe-me salvá-lo aqui, em algum lugar fictício que talvez nunca venha a receber minha visita.