Do adeus ao que não foi

Não sei mais que dia foi aquele
Lembro apenas que era outubro
Foi meu último tempo naquela cidade
No meu cérebro ribombavam morros, muros
Assim, no meio de tanta encosta
No vórtex de um furacão com nome de mulher
Me esgueirando, lutando para vir à tona
Forçando todas possibilidades de músculos
De algum modo advindo num encantamento estranho
Ela fixava olhares nos meus olhos e sorria
Então fui embora levando a tempestade
Que agora era só minha, não cabia nome
Apenas trovões, águas em massa
Talvez nos destroços do aniquilamento
Em alguma náusea expelida
Ou no resquício da memória dos seus cabelos negros
Compridos como lanças espartanas
Me encobriam por cima do tórax
Por algum motivo eu ainda vivo
Procurava o coração fora do corpo.