Por hora… Por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)                    

                      Viajei minha história inteira atrás de mim, me encontrei em alguns espelhos, tal narciso quis ser, me encontrei noutros eus, que não eu, mas que pareciam ser meus, me encontrei um tanto em Deus, porque Ele assim o quis e assim deixou.

                      Perdi-me em tantos lugares, quais já não saberia voltar, deixei a vida acontecer e o tempo cumprir seu dever, deixei de ser quem queria e passei a ser quem era, deixei de querer que tudo fosse como queria, e vivi com o que havia. Vi gente que amava me odiar e vi quem nem sabia me amar, vi o mundo de pernas pro ar e descobri que eu é que andava de ponta cabeça. Quis ser princesa e construir uma fortaleza, sonhei ser rainha e ter ao meu lado sua alteza, quis ser mulher e descobri que ainda era menina, quis ser menina, mas percebi que já não podia, briguei, xinguei e até chorei, fui mais eu para mim mesma, do que para quem me conheceu, fui quem podia ser, não quem quis, fui eu, mas não me vi, nessas horas narciso não estava em mim.

                      Descobri alguns segredos dos homens, descobri algumas das suas vergonhas, conheci muitas das suas mentiras e menti porque também sou humana, pequei e me arrependi e sei que continuarei a fazê-lo, talvez a gente peque para se arrepender ou talvez se arrependa para pecar, não sei, prefiro não estudar esse caso, tentei estudar Deus, tentei colocar lógica onde deveria haver fé, quis a todo custo ter fé e talvez Deus tenha se apiedado de mim e me deu algo que não poderia imaginar.

                      Vi mais de um milagre em vida, vivi um milagre todos os dias, fui eu mesma milagre sem saber e tive que ter forças para me reerguer. Quis a todo custo entender do que se tratava o amor, e quis mais que tudo saber amar, mas desisti de tentar e nesse dia comecei a me entregar, descobri que amar, era muito mais do que poderia imaginar, mas que não havia uma formula e jamais teria como provar. Perdi a razão, perdi a pose, desci do salto, andei mais de dez quadras com o pé doendo, só para não colocar o pé no chão, sem perceber que estava mais baixa do que se o fizesse.

                       Quis sair da vida, quis sair do mundo, quis esquecer tudo, começar outra vez, viver tudo de novo, fazer diferente e não fazer simplesmente. Quis brigar comigo e mais de uma vez o fiz, não quis ferir ninguém, mas feri, sei. Quis perguntar a alguns amigos, o que é que houve com a gente, porque a gente se dava tão bem e parece que do dia pra noite ficamos completamente diferentes, senti falta de muita gente e fiz falta para alguns.

                       Hoje sei, que não soube dar valor e que talvez morra sem saber,  sei que não sei de nada e que não tem vida suficiente para aprender, que tudo que descobrir, vai sempre precisar ser mais aprofundado e que tudo que ensinar, vai ser reaprendido durante o ensino e que o jeito que vejo e falo, é muito diferente, de quem vê e fala comigo, mas que posso fazer, nasci para ser eu, e ser feliz assim.