Enfim virei inventora. Por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

                       Na verdade querido, inventei-o, palavra a palavra e como só eu existia, não nós, é claro que o busco na minha caixa de mensagens e nenhuma mensagem sua aparece, acontece, que imaginava suas palavras e elas chegavam até mim, materializadas, mas agora, não posso mais imaginá-lo e não há mais tantas palavras.

                        Inventei um homem lindo, quase perfeito, com quem casaria e teria todos os filhos que Deus quisesse, inventei um amor puro, que nos unia e nos separava na medida exata como fazer uma prece certa. Inventei o mar, quando queria me calar e inventei de que amar era pouco para tudo que seríamos, inventei que se inventasse cada frase sua então você nunca me deixaria. E inventei também que no fim você era bom demais para mim, bom demais para me aguentar, mas dessa vez não inventei uma fuga, o que fiz foi ver de longe a sua partida, admirar a sua independência, e permitir com um suspiro e alguns sussurros, que você tivesse vida.

                        Inventei de que não podia ter uma despedida, inventei que não podia me despedir e inventei, que as suas palavras não poderiam ser as ultimas, as minhas é que hão de ser, pois afinal, fui quem inventou você, então, é justo que seja a ultima a dizer algo não?

                        Então inventei de te contar meus sonhos, e os contei baixinho, tremendo, porque na verdade, só o que lembrava eram pesadelos, mas inventei também que li não sei onde, que sonhar pesadelos, era uma forma de evoluir, lidar com os problemas do dia a dia. Então pensei que todos os dias nas noites em que acordava suada, e apavorada, que babava e tremia de medo, que naquelas horas na verdade, era Deus quem me preparava para tudo que enfrentaria, então inventei que um dia contaria, e inventei de escrever apenas sonhos e fantasias. E inventei que quando escritos os meus pesadelos não eram tão assustadores e que quando falava deles, entendia tudo que na verdade significavam, não sei hoje se podem me preparar pro que ainda vou ver nessa vida. Mas sei que não me inibem mais, nem me deixam tão acuada.

                        Então inventei que lhe diria tudo isso, que não disse e nem diria mais, porque afinal, inventei que ia amá-lo para sempre ou nunca mais, e já que amor nunca é demais, amá-lo-ei para sempre sem nuncas mais. Inventei que o amaria, se você ficasse ou se fosse, se você me olhasse, ou não. Se você dissesse tudo que queria ouvir ou simplesmente fosse mudo, porque inventei que estava na hora de amar e que estava pronta para amar.