Três haicais a partir de uma imagem-sutileza

Ilustração e fotografia: Cláudia A. Terehoff Merino Texto: Daniela S. Terehoff Merino

Três haicais a partir de uma imagem-sutileza

I.
Tristes folhas secas
Em suas mãos viram pintura
Poder de um artista.

II.
Lâmpada fulgente
Acesa sobre as montanhas
Clarão do luar

III.
Sol primaveril
Um jardim cheio de vida
Pássaro contente

Duas pequenas reflexões sobre essa mesma sutileza-efemeridade                                  

I.

Pode ser que às vezes o amor se assemelhe às folhas de uma árvore: ele nasce e cresce verde-exuberante, expandindo-se e iluminando o mundo por algum tempo, como se jamais fosse acabar. Até que um dia, durante uma tarde outonal, ele simplesmente cai de seu galho, tornando-se seco, murcho e até mesmo barulhento ao ser pisoteado.  Ora, mas se ainda existe o brilho dourado da vida nestas tristes folhas secas, como não enxergá-lo? A todos aqueles que forem pintores na arte de amar, sempre será possível resgatar o que parece perdido e fazer disso uma nova obra de arte.

II.

Talvez estas folhas secas da fotografia hoje estejam distantes uma da outra. Assim como acontece em “O feitiço de Áquila”, o tal pássaro contente provavelmente já não pode mais se encontrar com o seu par – neste caso a lua cheia e não o lobo. Ainda assim, fotografados lado a lado numa certa manhã de primavera, ambos gravaram em questão de segundos o anseio por uma vida inteira juntos. E por acaso alguém dirá que este pequeno instante não valeu a pena?

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