Garotas dulcificadas

Por Miriam Costa

Durmo numa cama estreita com um colchão desbotado onde minha vigília reina, me inclino e olho pelo quadrante da janela, vejo o sol morrer!
Com pressa chegou a noite, que as vezes, parece eterna quando nos recordamos de velhos repertórios que foram ensanguentados pela vida.
Não farei mais parte dessa lembrança morna como o meu chá de camomila… quero esquecer da dor e me voltar ao livro de poesias em cima da minha bela mesinha. 
Depois me levanto e procuro as estrelas que estão adormecidas assim como meu tedioso coração e canto baixinho para os deuses que regem a força da terra, imortais, faço pedidos para não me faltar juízo, nem saúde, nem fé.
Atena me guie!!
Apolo me conduza!!
Eros me inspire!!
Zeus esteja conosco!!!!!!
Inspiro profundamente… sinto o cheiro de misturas da cidade neon, onde vivem as súplicas por dignidade, os ladrões, os invisíveis direitos civís, os incêndios, os ratos, desapego e o desespero, mais os artistas com a mesma trajetória de antes.
Penso no absurdo de crimes que presenciei, as incontáveis mágoas que eu mesma curei e na ironia que verte como um escudo de minha língua.
Tenho orgulho do que me tornei, entre tentar e estar somente vou além, meu riso é quem sou, mulher-menina e o inverso da razão.
Então, morreu a noite e veio o sol intenso…
Unhmmm…tome esse licor acetinado, esse lençol adocicado no sabor do meu universo…essas escadas de estrados …estalos nos esparadrapos… meus pés descalços, estou entre cruzadas nessas estradas e nas esquinas meus lambes arrancados até se fazer ferida na lingua.
Pois é, tanta fala!!!!!E falta de atitude…
e guardei minha voz… e no grava(dor)… o meu amor? Recita baixinho no fone de ouvido… o arrepio é o choque de meus olhos molhados, onde na cama o que era embolorado se fez o musgo, um jardim de bruxas nuas em volta de uma fogueira!!
Oferendas de lírios, de água fresca e nessa mesa um livro de cantos e desencantos… histórias jamais contadas e poesias não declamadas, mas já bastava pois se escutava do nada a alma calada. Assombros nas madrugadas que pertubam o sono dos incomodados em colunas de um concreto imperialista….
FAÇO ECOECOECOECOECOECOEcoEcoEcoEcoEcoEcoecoecoecoecoecoecoecoecoecoecoececececececoecececececo……
Quebro as correntes e derreto pendente, a falsa balança da justiça, onde os olhos cobertos deixaram mortos e nus nas paredes frias… e o som de um fuzil queimado!
No quarto escuro… esquartejado, está lá… apagado na droga da anestesia…
…e são bocas famintas e mentes cegas em um tiroteio…
A puta leva a culpa… a homofobia é retratada como doença incurável…então, pego as cinzas de toda a condenação e esfrego em meu corpo até ser assoprada, como cisco no olho do universo… um papel …um esmero, assim espero!


Gratidão a poeta Patricia Hironimus pela participação mas principalmente por testemunhar muitas passagens da minha vida sempre com positividade e se fazendo presente como uma irmã. Re-nomear qualquer estilo de poesia é seu forte amiga e estou muito feliz por essa parceria.
Obrigada!!!

2 Comentarios Agrega el tuyo

  1. Miriam Costa dice:

    Ohhh maravilhoso fazer parte desse blog com escritores tão diversos e com quais me identifico.
    Agradeço por compartilhar!!
    Abç

    Le gusta a 1 persona

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Salir /  Cambiar )

Google photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google. Salir /  Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Salir /  Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Salir /  Cambiar )

Conectando a %s