Microconto: Mofando sozinho 

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By Daniela S. Terehoff Merino (@daniterehoff) 

Cravo amarelo morria de inveja das rosas vermelhas. Todas as manhãs, uma jovem alegre aparecia no jardim, cortava a rosa mais bonita, e a levava para dentro de casa. “Ah, aquelas rosas lá de dentro, tão mais vivas e ricas do que eu… Nada de raízes prendendo, sol torrando ou exposição à chuva, nada de nada!”, pensava ele, feroz. Até que um dia a mesma jovem surgiu triste, optou pelo cravo em vez da rosa, colocou-o em um vaso chinês sobre a imensa mesa e o largou ali, mera decoração silenciosa. Quando estava prestes a secar alguns dias depois, o velho cravo olhou pelo vidro da janela para as rosas lá fora e pensou: “Ah, aquelas rosas, sempre mais ricas e vivas do que eu…  Alimentadas pelas raízes, com sol e chuva à vontade… Quem me dera ser como elas, em vez de ficar mofando sozinho aqui dentro, sem fazer nada de nada, preso a esse vaso inútil…”.  

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