Nesse poema – Por Odilon Machado de Lourenço

Nesse poema Tenho nesse poema guerras, civilizações, tratados Tenho nesse poema demônios, subúrbios, luas, uivos… Tenho nesse poema sentidos, estrelas, naturezas noturnas Tenho nesse poema desenhos, estradas, montanhas, fêmeas alucinadas Tenho nesse poema desertos, catástrofes, lavas de fogo Tenho nesse poema fervor de neblinas, fronteiras em caos,baías em pânico, bombas e flores Tenho nesse poema…

Do homem que enfrentou o mar – Por Odilon Machado de Lourenço

Do Homem que enfrentou o Mar Bravos sais da tempestade arrancai do mar as paciências! Desordena suas vagas em meus olhos Roube os soluços de minhas veias Quebre quilhas, lemes, rasgue velas de veleiros solitários Grande mar trajado de estrelas Avarie o ritmo dos astros Inunde as torres faroladas Que afunde em teu sangue a…

Para saber do tempo – Por Odilon Machado de Lourenço

Para saber do tempo Em janeiro, quando a flor do verão for o auge do jardim, teremos esquecido as névoas de agosto Seguirá um fevereiro com pouco carnaval e os calores dos dias vão descer pelas costas aflitantes do verso até o mergulho das águas de março Seremos impávidos no outono e abril servirá para…

Elogio – Por Odilon Machado de Lourenço

Elogio Para Clarissa Cunha. Ela tem simetria bonita no rostoSeus sorrisos parecem luaresEla é elegante no andarSuas pernas dançam como ondas no marEla tem voz de trovãoE quando cala exala rumores das chuvas de junhoEla ilumina as peças da casaConcorrem com os raios do sol suas luzes de estrelasEla sorri com os poros do corpoSeus…

Tela em braile – Por Odilon Machado de Lourenço

Tela em braile Para Clarissa Cunha. Folhas de palmeiras inertes as sobrancelhasPortas de galáxias distantes as pálpebrasRochedo pontiagudo e retilíneo o narizLábios desenhados para alucinar a belezaNa face macia das bochechas a temperatura da sedaNas orelhas regatos curvilíneos margeiam os pequenos pelos que descem pelo rostoNos cílios um exército armado de lanças protegem a mais…

Frida – Por Odilon Machado de Lourenço

Frida Uma tela navega por dentro das veiasSe expande porto a porto como mar de si mesmaConcebe realidade de entranhasExterna versos pintados em cores dialéticasPinceladas vibrantes saltam do fogo da almaPaleta com as cores manejadas de dentroDe quem expele a cor do coração. Porto Alegre, junho de 2021.

Marilyn – Por Odilon Machado de Lourenço

Marilyn Quem sabe o cinema continuasse sem corAs cenas dos filmes encenassem outras divasComo seriam os dourados cabelos de Marilyn?Seu sorriso em flor abrindo mundos…Quem sabe o cinema não filmasse sua vozE um mundo dourado se juntasse ao póQuem sabe o desenho do corpo de Marilyn fosse apenas a marca de uma pinta no rostoSua…

Confissões da Aeromoça – Por Odilon Machado de Lourenço

Confissões da Aeromoça Para Clarissa. Como se pegasse as mãos da cidadeDeslizava no gelo com leveza e calmaNew York rodopiava nos seus olhos de pássaroVoou as distâncias da terra navegando estrelasPasseou seus olhares onde os deuses de Atenas tem os olhos fincados no solCaminhou entre os ponteiros dos relógios de LondresE a cada segundo o…

Mulher Natureza – Por Odilon Machado de Lourenço

Mulher Natureza No seu sorriso metade é solOutra metade lua cheiaSeus olhares migram como pássarosE pousam para escutar o silêncioQuando movem-se seus braçosUma nuvem esvoaça-se em chuvaQuando seus passos se alternam na direção do poente acende uma luz em outro mundoE seus cabelos cintilam estrelasMundos espalhados no universoCada ponta de seus seios anunciam revoadaVentos planam…

A incrível roupa do homem do primeiro andar – Por Odilon Machado de Lourenço

A incrível roupa do homem do primeiro andar Olho a cidade a mover mãosBraços multiplicam-sePicaretas estilhaçam muros e adentramE outros obstáculos montanhosos surgemMais braços chegam para cavarCavam, cavam, cavam!Ignoram ouro, diamantes, metais desconhecidosProcuram um olhar, talvez um coraçãoE novos muros de aços advindos de lugares distantes surgem do chão às estrelasE fossos minados se alinham…