Do verbo mentir muito imperfeito by Odilon

Falavam de águias, abutres e corvos, gavião carcará Falavam de cobras, peçonha e mordidas no calcanhar De outros falavam e coisas imundas mais sujas não há Assim eram as línguas que iam criando a fala má Iam dizendo e iam inventando montoeiras a pá Cavavam mais fundo na rasa maneira de prejudicar Aumentavam o buraco…

Do Homem que enfrentou o Mar

By Odilon Machado de Lourenço Bravos sais da tempestade arrancai do mar as paciências! Desordena suas vagas em meus olhos Roube os soluços de minhas veias Quebre quilhas, lemes, rasgue velas de veleiros solitários Grande mar trajado de estrelas Avarie o ritmo dos astros Inunde as torres faroladas Que afunde em teu sangue a voz…

Decantamentos by Odilon Machado de Lourenço

PARA ITAPUÃ. As águas dos dias escorrem para o cimo crepúsculo Ventos levam os ares do sol ao outro amanhã Auras viram ondas a cair sob as sombras Vultos adentram a simbiose da noite Em alheio sentido danças acontecem Um turbilhão invade devaneios em cheios mares de luz Há um ajustamento de loucuras no silêncio…

Motivos by Odilon Machado de Lourenço

Acontece que teus lábios me interessam Que teus cabelos me endeusam Acontece que teu olhar me ama sempre e me entorpece teu hálito Acontece que teus pés caminham comigo e tuas mãos são finas taças de bronze ofertando o vinho Acontece que teus braços me aprazem no abraço Que em tuas pernas ondulam sereias nadando…

Do morro by Odilon Machado de Lourenço

Vou dizer-lhes porque vou ao morro Há samba nas vozes que tocam pandeiros no morro Pipas subindo no céu abarrotado do morro Degraus para galáxias têm o morro Meninas sorrindo nas janelas das casas do morro Maçarocas de fios enrodilhando o alto têm o morro Pessoas olhando o mundo no cume do morro Conversas de…

Cerro do Ouro by Odilon Machado de Lourenço

Ali é o Cerro do Ouro Lugar que pegou o nome por ter ouro sobre o poncho Num tempo de não sei quando porque o tempo se esqueceu Num floreio de carreira tão logo atada a aposta sobre um poncho tilintava moedas cunhadas à ouro para o jogo dos cancheiros e prata pra gurizada Depois…

Sereias e Navegantes

By Odilon Machado de Lorenço Aquelas horas à deriva em tempestade no mar Sem uma enseada, uma pedra, somente a relva do mar Os corais eram azuis e um barco desancorado vogava à mercê do mar Nadavam ali sereias, como luzes delirantes cantavam a morte no mar Marinheiros se encantaram, se perderam, enlouqueceram nas águas…

“NINGUÉM FOI, NINGUÉM SABE, E TODOS VIRAM”.

GONÇALVES DIAS – OS TIMBIRAS by Odilon Machado de Lourenço Onde está o ouro? O diamante eterno?             Está no corpo da mulher mais bela da Europa – arrematou o velho. E depois continuou: – Brilham em suas orelhas o sangue da América, seu sorriso é uma homenagem póstuma de irreveláveis belezas,…

Do nosso sangue by Odilon Machado de Lourenço

Andamos nos caminhos vendo flores morenas Os olhares dos milênios no sangue da América Somos o desenho riscado ao luar da esperança Atravessamos as brisas, os dias de sol… Batemos sempre forte por livres amanhãs Não perdoamos os que deixaram abatidos nossos antigos irmãos que diziam que a terra não havia de ser vendida Que…

Se eu fosse a sua morte by Odilon Machado de Lourenço

Blog de Odilon Navegaria as águas do mundo envelado em seus olhos Sorriria seu sorriso navalhado em distâncias Com o puro amor de meus desejos beijaria seus lábios No eco de suas orelhas belas palavras arrancadas de mim, se eu fosse sua morte E seria eu as quentes areias coladas na pele de suas enseadas…