Quantas vezes eu te reinvente tantas vezes vou poder te amar – Por Priscila Monteiro Santos

Quantas vezes eu te reinvente tantas vezes vou poder te amar
por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Não sei o que dizer sobre o amor que passou, passou não tinha de ser, é fato se acabou é porque tinha que acabar, concordo plenamente com essa ideia, entendo-a com a alma, e com tudo que em mim é passível de compreensão. Mas vá contar a nostalgia e as saudades daqueles dias, que é assim, que essa é verdade dentro dos fatos, e logo elas lhe viram a cara.

 Não porque são incapazes de compreender, mas simplesmente porque há até na dor, um certo prazer irrecuperável de outra maneira, o prazer do amor que passou reside nas lembranças dos dias findos, reside ali… e ali mora a esperança também dos amores por vir. Porque se o que se acaba não guarda nada a que lembrar, pensamos então em não mais provar da fruta, quando algo tem gosto ruim por mais que nos digam que o gosto é bom, ao provarmos, os lábios guardam o repudio ao fruto, e então, é difícil explicar ao coração que mesmo sendo ruim é bom.

Mas ao contrário, quando o amor é tão extenso, tão tenro, tão pleno, que se faz desejado mesmo quando findo, então há esperanças para um novo amor, há esperanças para um amor diferente, há esperanças para que daquela fruta, que pudemos sentir o gosto, um pouco do sabor mesmo quando ainda não estava madura, há chances de que a queiramos novamente, há grandes chances de que experimentemos mais uma vez dela. Porque ainda não estava no ponto, porque talvez aquele gomo não fosse o melhor, é como chupar um cacho de uvas esperando encontrar em todas as demais, o gosto perfeito que se reconheceu no paladar ao colocar a primeira na boca.

Um primeiro amor que preste é que faz toda a diferença na vida de um ser humano. E eu posso dizer de boca cheia que o tive, se fui o mesmo para ele só Deus sabe, mas provavelmente não, não fui nem se quer o primeiro amor da vida dele, mas ele foi e será sempre o primeiro amor meu, então, não há chances de negar ao amor. Talvez brigar com ele por uns tempos, ficar brava de verdade, procurar um período de reclusão, dar uma gelada como gostariam de dizer por ai… mas não muito mais que isso, para quem já amou, viver sem amor é humanamente impossível, seria indigno. Só quem ama sabe o que digo, e para mim, que já amei na vida, só quem ama vive.

É por isso que o tenho em tanta estima, é por isso que preso pelas nossas memorias é por isso que mesmo após todo esse tempo ainda te escrevo, não porque lamente o fim, não porque o queira de volta para mim, não porque espere de alguma maneira concertar meus erros (não sei se há erros no amor, se há erros na forma de amar, é uma questão tão particular) de qualquer forma… mantenho acesa a chama da paixão através das letras de canções, dos poemas, contos, crônicas e afins, guardo com zelo toda a imagem, todo cheiro e situação que me remete a você, não pela esperança de preserva-lo intacto, não para tentar em vão esquece-lo… não por nada, é apenas uma questão de sobrevivência, mantenho junto a você, o meu desejo pelo amor, por amar, o meu desejo pelo outro, é claro, isolo-o as vezes dentro disso, no mar de expectativas jamais  atendidas nem mesmo por você, mas é apenas um jogo, meu pequeno vicio vamos dizer assim, te amar até a próxima uva, mais saborosa, que então depois de devorada me fará querer outra como ela. Até que enfim me sinta satisfeita… ou esteja de fato satisfeita.

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